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BRITPOP: PARTE 1 - I WANNA BE ADORED

No Reino Unido, depois de uma década de 80 tomada pelas batidas eletrônicas e pelas drogas sintéticas; em 1989, ainda influenciados por essa cena, os Stone Roses, liderados pelo icônico Ian Brown lançam seu primeiro disco e sua obra-prima. O self-titled The Stone Roses, que deu grande popularidade a banda com hits como “I Wanna Be Adored”, “She Bangs the Drums” e “Fools Gold”.

Nessa época o Britpop ainda não existia. O estilo em questão era o Madchester, que era uma espécie de trocadilho com o nome da cidade de Manchester. Outra banda que ganhou notoriedade foi o Happy Mondays, de Shaun Ryder. Além do The La’s.

Mas o som desse movimento do norte da Inglaterra foi quem deu o início pro Britpop. Entre 1989 e 1990 bandas fundamentais desse estilo foram formadas, como o Radiohead, Suede, Blur e The Verve.

O primeiro a lançar um disco e conseguir certo reconhecimento foi o Blur, com Leisure, de 1991. A grande influência para todas essas bandas, sem sombra de duvidas, é os Beatles. De um modo ou de outro todos eles conseguiam trazer um pouco dos Fab Four para seu som.

BRITPOP: PARTE 2 - BUT I'M A CREEP

Em 1993 o Blur consegue se sair melhor do que dois anos antes, lançando Modern Life is Rubbish, que há quem diga que foi o primeiro disco com a essência do Britpop; embora haja controvérsias, pois há quem diga que o marco inicial do estilo foi o debut-album do Suede, que leva o mesmo nome da banda.

Em um caminho diferente, o Radiohead e o The Verve lançavam seus primeiros discos, com uma estrutura mais poética, uma visão pessimista do mundo e até mesmo certa depressão.

Mas o The Verve ainda não experimentaria o sucesso. A Storm In Heaven não é nem de longe considerado um sucesso de vendas, mas serve para dar visibilidade aos rapazes de Wigan, liderados por Richard Ashcroft.

Por outro lado, o Radiohead lança o bem sucedido Pablo Honey, que se for analisado friamente, pode ser considerado cru, se comparado com os trabalhos posteriores do grupo de Thom Yorke. Mas apesar disso, o disco levou a banda ao grande estrelato com o hit Creep e fez com que a banda tivesse a bagagem necessária para lançar seu segundo disco dois anos depois.

BRITPOP: PARTE 3 - TONIGHT, I'M A ROCK N' ROLL STAR

O ano é 1994. No futebol, o Brasil se torna tetra campeão mundial graças à isolada de Roberto Baggio. Nos Estados Unidos o grunge perde força com o suicídio de Kurt Cobain. Nisso, o Blur lança seu disco fundamental, Parklife. E sem discos de Radiohead e Verve, o Oasis, que foi formado em 1991, aparece com o seu Definitely Maybe e foi aí, com o lançamento desses dois discos que a crítica especializada colocou o ponto inicial do Britpop.

É um verdadeiro tiroteio de hits para todos os lados. De Live Forever à Parklife, de Supersonic a Girls & Boys, de Cigarettes & Alcohol à End of Century. No meio disso tudo, o Suede, meio que assistindo tudo à distância, lança seu segundo trabalho, Dog Man Star. E o Ride de Oxford, assim como o Radiohead, lança Cosmic Carnival, mas com uma pegada mais shoegazing.

BRITPOP: PARTE 4 - A VERY BIG HOUSE IN THE COUNTRY

Como já foi dito aqui antes, 1995 foi um ano de ouro na Inglaterra. Por quê? Oasis, Blur, Radiohead, The Verve e os calouros do Supergrass lançam trabalhos.

What’s the Story (Morning Glory?) e The Great Escape, de Oasis e Blur respectivamente protagonizaram o que ficou famosa como a Batalha do Britpop. E como se a coisa toda já não tivesse tomado proporções gigantescas, as gravadoras resolveram lançar os singles no mesmo dia. Roll With It e Country House. O Blur representava o Sul da Inglaterra, o Oasis, o Norte.

O Blur venceu a batalha, 274 mil cópias do single, quase 60 mil a mais do que o Oasis. Mas acabou perdendo a guerra, pois o grupo dos irmãos Gallagher conseguiu justamente o que o Blur mais queria, que era a popularidade nos Estados Unidos, e respectivamente no resto do mundo; apoiados em hits como Wonderwall, Don’t Look Back in Anger e a épica Champagne Supernova.

O Radiohead lança o seu conceitual The Bends, que ajuda consideravelmente a encorpar ainda mais a carreira da banda, antes que eles partissem pro experimentalismo. Na mesma levada shoegazing do Ride, o Verve redireciona seu som para outros lados e lança A Nothern Soul, trazendo como um dos carros chefe a ótima This is Music. Mas mesmo assim, não deixa de lado sua estética carregada e põe como um dos hits do álbum, a belíssima balada History.

BRITPOP: PARTE 5 - CAUGHT BY THE FUZZ

O Supergrass lançou seu primeiro disco em 1995, e embora tenha conseguido bons resultados nesse ano, foi em 1996 que a banda foi realmente colher os primeiros frutos do sucesso.

De resto, foi mais do mesmo, uma continuação do que aconteceu em 1995. Blur e Oasis disputando quase que no tapa pra ver quem fazia mais sucesso. O grupo de Manchester fez um show antológico para mais de 250 mil pessoas em Knebworth.

No cinema, o modo de vida dos jovens da época, retratado no excelente Trainspotting serviu como divulgador do movimento no resto do mundo. Embora houvesse quem repudiasse o filme até a morte, o acusando de fazer apologia às drogas, especificamente, a heroína.

BRITPOP: PARTE 6 - CAUSE IT'S A BITTERSWEET SYMPHONY

No ano de 1997, depois de sempre bater na trave e assistir o sucesso dos outros, o The Verve finalmente acerta a mão fazendo um disco impecável: Urban Hymns. Um disco todo orquestrado, com sucessos como Bittersweet Symphony, Sonnet, Lucky Man, The Drugs Don’t Work, dentre outras grandes músicas como The Rolling People e Catching the Butterfly.

Mas apesar do sucesso atingido pelo álbum, a banda enfrentou uma acusação e um processo de plágio justamente por causa de seu maior hit. O Rolling Stones acusava Ashcroft de copiar samples de The Last Time. O Verve perdeu a batalha e com isso acabou conhecendo o seu fim. O Radiohead começou a alçar vôos mais altos e lançou o enigmático Ok Computer.

O Blur também consegue bater as asas fora da terra da Rainha. O sucesso e o modo como o disco Blur foi lançado, trazia um sucesso totalmente novo pra banda, fazendo parecer como se fosse o primeiro trabalho. Song 2 tocou incessantemente no mundo todo, em todos os lugares, virou trilha de jogos de vídeo-game e tudo mais.

E de onde se esperava o máximo, veio menos, bem menos. O Oasis lançou o irregular Be Here Now, a comoção em torno do álbum era tanta, que foi o disco mais vendido em menos tempo em toda a história da musica britânica. Carregado com uma superprodução jamais imaginada em um disco dos irmãos Gallagher, recheado de músicas longas de 6, 7 e até 10 minutos, Be Here Now não agradou a crítica especializada e foi acusado de ser um dos responsáveis pelo declínio do Britpop que veio a ocorrer nos anos posteriores.

BRITPOP: PARTE 7 - STEP INTO MY WORLD

Ainda no ano de 1997, maravilhados com o sucesso de todas essas bandas, saem os primeiros trabalhos de Stereophonics e Hurricane #1, que ainda apostavam no estilo. A segunda banda era liderada pelo ex-guitarrista do Ride e que viria a se tornar baixista do Oasis alguns anos mais tarde, Andy Bell.

Em 1998, para tentar reconstruir a imagem que ficou arranhada com Be Here Now, o Oasis lança uma coletânea de b-sides, The Masterplan, que obtém certo sucesso.

Em 1999, o Blur lança o emotivo 13, que trazia Tender, Trimm Trabb e a bonitinha Coffee & TV, com seu videoclipe de caixinha de leite super premiado. Enquanto isso Radiohead e Oasis permanecem em estado de hibernação.

Quem também lança discos novos é o Supergrass, que novamente consegue boas aparições, sobretudo com o hit Mary, o Stereophonics, com o consistente Performance & Cocktails; além do Hurricane #1, que lançou seu derradeiro disco, intitulado Only the Strongest Will Survive, trazendo uma roupagem mais acústica e carregado de arranjos de violinos e teclados.

BRITPOP: PARTE 8 - SHE GO LET IT OUT

Oasis e Radiohead saem da toca e lançam Standing on the Shoulder of Giants e Kid A, respectivamente. O Blur fica só na coletânea The Best of Blur. Algumas bandas que ficariam como parte do movimento chamado de Post-Britpop começam a ganhar espaço, tais como Travis e Coldplay. Bandas essas que, influenciadas pelo Radiohead, deixam as guitarras de lado e investem nos pianos.

Já em 2001 quem começa a querer tomar conta do movimento, é o Stereophonics, que lança, até ali, seu disco de maior êxito, o Just Enough Education to Perform; com hits arrebatadores como Mr. Writer e Have a Nice Day.

A partir daí o que aconteceu foi o declínio definitivo do movimento. Onde as bandas fundamentais do estilo resolveram experimentar mais em seus discos, deixando a essência do Britpop um pouco de lado.

BRITPOP: PARTE 9 - EVERYDAY I LOVE YOU LESS AND LESS

Influenciadas pelas mais diversas bases do estilo, algumas bandas, inclusive americanas, resolveram fazer uma espécie de revival do movimento, tais como Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Arctic Monkeys, Kasabian, Keane e o americano, mas não menos importante, o The Killers.

Embora, todas essas bandas venham rotuladas como indie, talvez a única que queira ser citada como uma banda de Britpop seja o Kaiser Chiefs, de Ricky Wilson, que já emplacou hits como Everyday I Love You Less and Less, Modern Way, Oh My God, Ruby e Good Days and Bad Days.

Em 2008 o Verve ressurgiu do limbo lançando seu quarto disco entitulado Forth. Mas depois de uma bem sucedida turnê de um disco bem recebido pela crítica, o grupo não se sustentou por muito mais tempo e acabou no ano seguinte.

Quem também acabou, depois de mais de 15 anos de estrada, foi o Oasis, depois de uma briga feia entre os irmãos Liam e Noel Gallagher. O irmão mais velho, promete seguir em carreira solo, com uma levada mais acústica, já o mais novo, ficou com o que sobrou da banda mas decidiu mudar de nome, agora Beady Eye, que já lançou disco e vem fazendo um certo barulho na terra da Rainha.

That's all, folks!

RADIOHEAD

Se tem um ano que pode ser considerado de ouro na Inglaterra, esse ano definitivamente é 1995. Algumas bandas lançaram os seus discos divisores de águas nesse ano, suas obras primas, seus trabalhos conceituais.

Do fim pro começo, em Outubro o Oasis lançava seu Morning Glory, recheado de hits. Um mês antes, quem lançou disco foi o Blur. The Great Escape. Que aliás, como sabem, esses dois discos foram o centro da batalha do Britpop. Correndo por fora, o The Verve, que alcançaria o sucesso absoluto dois anos mais tarde com Urban Hymns e a épica Bittersweet Symphony, lançou A Nothern Soul, trazendo hits como This is Music e a bela History.

Em Maio, no lado mais divertido do Britpop, o Supergrass lançou I Should Coco, que os consagrou com o sucesso Alright, que virou inclusive trilha de filme e tudo mais.

E começando essa onda de grandes discos, no dia 13 de Março o Radiohead lançava seu segundo disco, que é considerado um dos melhores, ou até mesmo o melhor da carreira do grupo. The Bends. Que trazia hits como High and Dry, Fake Plastic Trees, My Iron Lung, Street Spirit e a excelente Just, que é uma das minhas preferidas.

Até confesso que há algum tempo atrás eu não tinha tanta disposição assim pra ouvir os trabalhos de Thom Yorke e seus amigos. Mas como foi dito no começo do post, The Bends é um disco conceitual. Daqueles que se você diz que gosta de música boa, não tem como não gostar desse album.

Além dos hit-singles já citados, o disco é recheado de grandes faixas, embora não sejam exatamente superproduzidas. Tal como Bones e a própria The Bends que dá nome ao album.

Aliás, diga-se de passagem, que o disco é uma ótima amostra pra quem diz que o Radiohead nunca teve guitarra. Nos discos mais recentes, pode até ser que o uso dela tenha sido meio que deixado de lado.

Outra música que merece um olhar mais preciso, é Black Star. Que embora sua qualidade não tenha sido reconhecida o suficiente pra que ela fosse single, é uma faixa que soa como uma daquelas canções épicas do rock n' roll inglês, com um refrão de fácil associação e guitarras bem grudentas, no bom sentido.

Músicas como Fake Plastic Trees e Bullet Proof dispensam apresentações e a história da banda fala por elas. High and Dry é o que o Coldplay vem tentando fazer desde o seu primeiro disco, mas falha miseravelmente, embora faça algumas boas músicas.

Pode parecer um pouco sarcástico dizer isso, mas é preciso um pouco de calma pra ouvir Radiohead. Até mesmo porque, é uma banda que precisa ser compreendida, e dificilmente você vai entendê-los só ouvindo Creep.

Além do que, existem outras bandas que conseguiram bastante popularidade e nem sequer existiriam se Thom Yorke não estivesse aí. Caso de Keane e Muse, dentre tantas outras. E se são boas bandas, a influência não deixa de ser, não é?

That's all, folks!

STEREOPHONICS

Sim, senhoras e senhores. Já foi falado deles aqui, do primeiro disco, lançado em 1997; o "Word Gets Around". O album de hoje, é pra muitos, o melhor dos Phonics: "Language, Sex, Violence, Other?" E é sobre esse disco que eu vou te contar um pouco mais.

Aperte o play e ouça Superman. Começa e termina sóbria, com uma levada tranquila, com algumas guitarras distorcidas entre um momento e outro. Na sequência, a primeira grande cacetada do disco. Doorman é exatamente o que as pessoas procuram nas bandas de rock de hoje em dia. Uma pegada rápida, com um baixo bem estourado e uma letra suja.

Em um dos versos, Kelly Jones declama: "Suck my banana, suck it with cream". Agora diz se não é de uma finesse sem precedentes? Aos 2:15, um puta solo matador, como a cereja em cima do bolo.

Brother já é mais suingada. Aqui Kelly Jones canta num tom mais grave e usando uma espécie de efeito na voz. Mas isso só até a música crescer. Embora eles citem muitas bandas como influências, o que é natural, diga-se de passagem, o mais legal do Stereophonics, é que, embora eles sempre repitam algumas velhas fórmulas em todos os seus discos, não abrem parâmetros de comparação com outras bandas, qualquer coisa que eles façam e você ouça, fatalmente vai dizer: "É Stereophonics!"

Apertando o next e indo pra próxima faixa, Devil já vem na mesma pegada de Superman, um pouco mais lenta. Trazendo a mesma guitarra distorcida, mas também um piano pra fazer a marcação nos versos. No refrão, ela cresce e ganha mais corpo.

E aqui, chegamos naquela parte em que todo mundo enlouquece. Sim. Aumente o volume, deite na cama, feche os olhos e sinta: Dakota. Pode até parecer posismo dizer que essa não é só a melhor música do disco, mas uma das melhores dos Phonics. Mas é preciso dizer que Kelly Jones acertou a mão quando escreveu essa.

Como muita gente já sabe, essa é a faixa de maior sucesso deles. E como se já não fosse o bastante a popularidade que a banda conseguiu com ela, ainda a colocaram como trilha sonora do famoso jogo Pro Evolution Soccer, o que potencializa a fama, pelo menos da música, umas três vezes.

Ouvindo Rewind tu descobre um plágio. Não, o Stereophonics não plageou ninguém. Foi plageado, de novo. Dessa vez pelo Coldplay (ah, jura?). Em 2008 o grupo liderado por Chris Martin deu um belo de um ctrl + c ctrl + v em Lovers In Japan, faixa 5 do Viva La Vida.

Em Pedalpusher eles retomam a pegada britpop dos anos 90, que era marca registrada dos primeiros discos do grupo. Girl é a música mais curta do disco, 2 minutos exatos do verdadeiro rock n' roll inglês, que parecia ter morrido no fim dos anos 90. Parecia.

Lolita soa como a Maybe Tomorrow desse disco. Afinal de contas, todo disco precisa das suas baladinhas pra tocar no rádio. Não é verdade? Se bem que, na terra da Rainha isso nem se aplica tanto assim, é só aqui no Brasil mesmo.

Deadhead é a última faixa mais-ou-menos pegada do disco, porque Feel, que fecha o album, que é bem balada também, e só vai crescer lá no final. Dando um ar bem de despedida mesmo.

Caso tenha se interessado: Compre. Altamente recomendável.

That's all, folks!

BEADY EYE

É meus amigos, vazou. E não é a menstruação da sua namorada. É o disco da Beady Eye, que também pode ser chamado de Oasis sem Noel. E justamente por estar desfalcado de seu principal nome, é que as pessoas passaram a subestimar o que a Beady Eye poderia trazer.

Por outro lado, Gem Archer e Andy Bell não são dois perdidos que cairam de paraquedas no Oasis e ficaram famosos da noite pro dia. Archer era vocalista da Heavy Stereo, que assim como todas as bandas de Britpop da segunda metade dos anos 90, queria soar como os Beatles.

Já Andy Bell tem um currículo que impõe mais respeito. Tocou no Ride, que há quem pregue que foi a melhor banda de Oxford. (Nota: O Radiohead é de Oxford) e posteriormente formou o Hurricane #1, que tinha uma sonoridade bem mais parecida com a banda que viria a dar a grande fama a ele em 2000.

Pois bem, voltando a 2011, como já foi dito, o disco caiu na rede. Em formato físico, será encontrado nas lojas a partir do dia 28. Produzido por Steve Lillywhite, que em tem na bagagem a produção de discos considerados fundamentais de Morrissey (ex-Smiths) e U2.

Nesse caso, vamos dar o play no disco. A primeira faixa, é Four Letter Word, uma pancada que abre o album em grande estilo. É bem verdade que tudo o que Liam Gallagher mais quer, é fugir das comparações com sua antiga banda, mas isso vai ser um pouco dificil de acontecer. Até mesmo porque, Four Letter Word é muito Oasis, e entraria fácil em qualquer disco da banda, com uma grande possibilidade de ser single.

Quanto as explicações sobre a musica, quando perguntado se essa palavra de quatro letras era "love" ou "fuck", Liam diz que é uma música romântica, que tem um certo afeto, mas que essa tal palavra, é um meio termo entre as duas. E ainda diz que não é um cara de grandes versos, e que isso tudo é apenas rock, e que por essa razão, apenas escreve sobre aquilo que o deixa perturbado ou alegre.

Nos primeiros discos do Oasis, Noel não fazia questão nenhuma de esconder em suas músicas que a maior influencia da banda eram os Beatles, a partir do terceiro ou quarto album, ele começou a atirar pra outros lados, como The Who, Rolling Stones, Kinks e Stone Roses. Visto isso, parece que Liam quer recomeçar a história, e as duas próximas faixas são a grande prova disso.

Millionaire é mais acústica, sem grandes pretensões. Por outro lado, The Roller, que é um dos singles do disco e já está entre as musicas mais ouvidas do Reino Unido, mostra que a banda veio pra mostrar serviço. A música é uma daquelas baladas que marcam época. Strawberry Fields Forever, suponho.

Aqui na faixa quatro, foi criado um paradoxo. Beatles and Stones. Sim, esse é o titulo da música, e como sugere, tem uma pegada mais rock n' roll. Mas onde está a controvérsia nisso? É que a música não parece com nenhuma dos Beatles, e nem dos Stones. A pegada é bem parecida com a de My Generation, do The Who.

Mas se faltou influência da dupla Jagger e Richards na faixa anterior, aqui sobra. Os riffs de Archer e Bell parecem bastante com os que Keith costumava fazer. E aqui na faixa seis, a maior semeadora da discórdia de todo o album: Bring the Light. É uma música de extremos, há quem ame, há quem odeie. Mas sem sombra de dúvida, é inegável que se Liam queria fazer alguma coisa diferente do que vinha cantando nos últimos vinte anos, ele conseguiu.

Por outro lado, não pode se dizer que é uma grande música. Talvez fosse, se estivesse em um disco do Supergrass. Nada contra esse piano acelerado estilo Jerry Lee Lewis, mas... esse tipo de música, não combina muito com a voz rasgada de Liam.

For Anyone pode ser chamada de The Roller pt. 2. Já Kill for a Dream, que é uma das faixas assinadas por Andy Bell, teria, e provavelmente terá, um bom lugar nas paradas inglesas. Soa como Beady Eye, mas com aquele DNA das grandes baladas do Oasis, tal como Wonderwall ou Stop Crying Your Heart Out.

Em Standing on the Shoulder of Giants Edge of the Noise o disco ganha peso novamente. Liam traz uma voz poderosa, numa faixa matadora do início ao fim, que cresce ainda mais no refrão.

Wigwam é a faixa mais longa do disco, e novamente troca-se o peso pelas melodias fáceis de se decorar. Three Ring Circus já traz uma face mais anos 60, tipo o início da carreira dos Beatles. Sem trocadilhos.

E em The Beat Goes On, a influencia dos Beatles é ainda maior. Pode parecer pretensão demais dizer isso mas, se o rock ainda fosse a maior força musical do mundo, essa música poderia fácil ser a Hey Jude dessa geração.

The Morning Son finaliza o disco exatamente como começou. Soando Oasis. Se Four Letter Word era pegada, The Morning Son é a Champagne Supernova de 'Different Gear, Still Speeding', embora no final, quando você ache que ela vá crescer quando entra aquele baixo estourado e acelera-se a bateria, mas ela logo volta ao normal.

Em tempo, mesmo que Liam insista em não perdoar e nem ao menos ver o irmão, há claramente um recado para ele nessa faixa: "Você nunca saberá se não tentar/Você está cego por aquilo que você idolatra."

Em suma, 'Different Gear, Still Speeding' é bem mais do que as pessoas esperavam. Bem mais do que as pessoas achavam que Liam Gallagher era capaz. Se bem que, há de se convir que Andy Bell sempre foi um grande compositor, e agora ele pode mostrar isso de novo.

Quer ouvir? Clica aqui em download.

That's all, folks!

IAN BROWN

Sim, senhoras e senhores, o primeiro post desse blog, num tempo muito distante, foi da banda que esse homem fundou, o Stone Roses. De lá pra cá, inúmeras referências a ele já foram feitas aqui e até post de notícia, onde ele era acusado de bater na mulher.

Mas o que muita gente não sabe, é que Ian tem uma carreira solo bem consistente, sempre com discos bem recebidos por público e crítica, embora nos seus shows ele sempre aposte nos velhos hits de sua antiga banda, como She Bangs The Drums e I Wanna Be Adored.

Hoje, teremos um post dedicado ao seu segundo disco, o Golden Greats, lançado em 1999. O primeiro foi o bem conceituado na Inglaterra, Unfinished Monkey Business, lançado em 98.

Em Golden Greats, Ian Brown, que também produz o disco, faz uso de instrumentos como Melotron e órgão. Além de abusar de efeitos de voz, o que ele já fazia no Stone Roses, além de utilizar elementos eletrônicos nas faixas, como em Love Like a Fountain, que segundo Brown, é sua melhor música em carreira solo.

Outra boa faixa é Gettin' High, que aliás, abre o trabalho. A introdução tem umas cordas de música japonesa e tal, mas assim que a música começa de fato, é uma pegada bem rock n' roll, e seria até mais, se não tivesse a bateria sintetizada que vem acompanhada de uma espécie de eco.

A pegada eletrônica fica bem visível em Set My Baby Free, Golden Gaze e Neptune. Por outro lado, So Many Soldiers mostra um lado mais experimental, usando órgãos e violões.

Babasonicos
fecha o disco, e é uma canção mais triste, com um baixo bem marcado e guitarras distorcidas, que solam em alguns momentos. Como a batida que acompanha a música é mista, tanto eletrônica, quanto de bateria normal, pode se dizer que é uma espécie de blues experimental.

Em todo caso, é um bom disco pra quem gosta de música experimental e alternativa, bem diferente daquilo que toca no rádio, ou até mesmo das bandas que as pessoas colocam como alternativas, mas que estão no mainstream.

Por outro lado, para aqueles que são mais avessos a esse tipo de música e gosta apenas do convencional, é melhor nem chegar perto.

That's all, folks!

COFFEE, TV AND MUSIC [LISTAS] 12

Sim, já faz algum tempo desde que a última lista foi feita nesse blog. Se bem me lembro, foi a sobre os Grandes Vocalistas da Humanidade, que foi linkada no Jacaré Banguela e tomou proporções jamais vistas nesse humilde blog, em todos os sentidos, polêmica então, mais do que qualquer outro.

Bom, a lista de hoje, é especificamente de uma banda, como algumas que já foram feitas aqui num tempo muito, muito distante. A ideia é a seguinte, eu vi uma lista cujo nome era "Roqueiros também amam" ou algo parecido com isso. Plageando pensando nisso, resolvi fazer um post com baladas só do Bon Jovi, uma vez que a lista anteriormente citada não tinha, pasme, nenhuma música sequer deles.


01 – She Don’t Know Me (Bon Jovi, 1984)

Faixa três do primeiro disco da banda. Se fosse um pouco mais rápida, entraria na categoria power-ballad. Alguns elementos oitentistas são quase que fundamentais na construção da música, como bateria sampleada e teclados acompanhando a música toda. Além claro, do solo de guitarra no final, que não pode faltar.


02 – I’d Die for You (Slippery When Wet, 1986)

E falando em power-ballad, aqui está ela. Nos dias de hoje, o título e no caso, o refrão, não poderiam ser mais emo. Mas nos anos 80, ninguém conseguia deixar mais coxas femininas molhadas do que esses caras. Ao mesmo tempo em que a letra diz “eu morreria por você/eu choraria por você”, a música soa quase raivosa, com uma guitarra implacável durante a música toda e a voz rasgada de Jon.


03 – Never Say Goodbye (Slippery When Wet, 1986)

Ta aí uma das baladas que consagraram o Bon Jovi. Melosa do início ao fim, Never Say Goodbye tem toda aquela pinta de trilha de novela. Se fosse uma musica nacional, teria sido composta pelo Roupa Nova. A letra, nem é preciso dizer do que fala, né?


04 – I’ll Be There for You (New Jersey, 1988)

“Quando você respira eu quero ser o ar para você”. Sim, essa é uma das frases que você encontra nessa música. No quesito letra, a mais melosa de todas as baladas do Bon Jovi. Mas justamente por isso, uma das mais bonitas.


05 – Bed of Roses (Keep The Faith, 1992)

Sabe aquela música que você diz: “É cafona mas eu gosto?”. Se fizessem uma lista com esse título, entraria nas primeiras posições fácil! Até mesmo porque, sei lá né? Mas cama de rosas é meio 90’s. Ou seja, na época, era legal.


06 – Someday I’ll Be A Saturday Night (Cross Road, 1994)

Acho eu, que foi aqui que o Bon Jovi começou a se desviar do caminho pra se tornar o que é hoje. Não que seja ruim, mas... diferente do que já foi um dia, assim podemos dizer. Alguns elementos da música são até uma previsão, porque em alguns momentos dá pra sentir uma levada quase Country, que foi o estilo do Lost Highway, lançado em 2007.


07 – Always (Cross Road, 1994)

Uma das canções de amor mais lindas de todos os tempos. E isso é tudo.


08 – This Ain’t A Love Song (These Days, 1995)

Essa sem sombra de dúvidas é uma das músicas mais corta-pulso que Jon Bon Jovi e seus amigos escreveram. Sente o refrão: “Se o amor que eu tinha por você se foi/Se o rio que eu chorei não foi o suficiente/Então eu errei, sim eu errei/Essa não é uma canção de amor”. Apesar do título não dizer, essa é sim uma canção de amor. E daquelas bem chorosas.


09 – (It’s Hard) Letting You Go (These Days, 1995)

(It’s Hard) Letting You Go, mesmo tendo sido gravada em 1995, ainda hoje soa moderna, aos mais desavisados, pode até se dizer que foi gravada ontem, que ninguém discorda. A letra fala basicamente sobre um relacionamento onde as coisas não são mais como já foram um dia.


10 – Hearts Breaking Even (These Days, 1995)

De começo, tem uma levada Aerosmitheana, já nos versos, uma guitarra bem swingada e um órgão de fundo que quase faz remeter aos rocks dos anos 50 e 60. Quando a música sobre pro pré-refrão e consequentemente, pro refrão, volta a ser Bon Jovi. Corações partidos e tal, nada muito diferente do que você viu até aqui.


11 – Thank You For Loving Me (Crush, 2000)

Chegamos na parte em que muitas pessoas costumam dizer que é o novo Bon Jovi, que começou a partir do lançamento do Crush, em 2000, e do fenômeno It’s My Life. Mas lovesongs independente da época, todas tem uma fórmula só. E com essa não é diferente.


12 – All About Lovin’ You (Bounce, 2002)

Pop. Muito pop. Com batida eletrônica e guitarra soladinha ao fundo. Se colocassem a Dido ou a Natalie Imbruglia cantando, teria o mesmo efeito. Mas uma grande música, sem dúvida.


É claro que listas nunca serão uma unanimidade, e há quem vá dizer que faltou muita coisa. Sendo assim... se tu é um grande conhecedor de Bon Jovi, faça a tua lista nos comentários.


That’s all, folks!

THE PARLOTONES

Tu lembra daquele show de abertura da Copa do Mundo de 2010, que teve Black Eyed Peas, Shakira e outros lixos sonoros dentre eles, artistas africanos que faziam musica ruim, mas ao seu modo? Então... lembra que no meio dessa bagunça toda, apareceu uma banda que era meio Coldplay, meio Placebo, meio Killers?

Não sei como cada um de vocês reagiu mas, eu olhei pra aquilo e disse: "Cara, eles são bons". E quem são eles? The Parlotones. E apesar de toda a pinta de britânicos, eles são sulafricanos mesmo. E o mais curioso de tudo isso, é que eles são bem famosos na Alemanha.

Mas na África do Sul eles tem até uma popularidade bem grande, tanto que o principal hit deles, "Push Me to the Floor" virou até nome de vinho. (!)

No que diz respeito ao som deles, pode se dizer que evoluiu ao longo do tempo, as levadas mais rápidas de RadioControlledRobot, de 2005, foram aos poucos dando lugar a melodias mais lentas, com bases ao piano e até mesmo umas levadas de bateria eletrônica, sendo isso mais percebido no ultimo disco, Stardust Galaxies, de 2009.

Um exemplo disso é a excelente "Should We Fight Back", faixa três do disco citado logo acima. Em 2005, a faixa que abre o debut-album deles é a melhor do disco. Se chama "Louder Than Bombs", e faz lembrar demais o Placebo, tanto no que diz respeito à sonoridade quanto no fato do vocalista usar falsete em alguns momentos.

Logo abaixo tu pode conferir os três discos pra download.

2005 - RadioControlledRobot
2007 - A World Next To Yours
2009 - Stardust Galaxies

Eu recomendaria que tu baixasse os três. São ótimos discos, cada um a seu modo.

That's all, folks!

KEANE

Não, não é nem o Roy e nem o Robbie Keane, famosos futebolistas irlandeses. O Keane é uma banda inglesa, formada em 1995, apesar de lançarem singles por outros selos, só lançaram seu primeiro, e melhor disco, em 2004, o Hopes & Fears; e é sobre ele que eu vou te contar um pouco mais agora.

Uma coisa que você precisa saber sobre o Keane é: Guitarra não, piano sim. O instrumento é fundamental em todas as músicas, não só desse disco. É ele quem carrega as melodias. Outro fator considerável é o vocal em falsete, também usado até a exaustão por outra boa banda inglesa, o Muse.

Quando você dá o play no disco, já sente que a banda tem influencias de Radiohead, U2, Smiths, Oasis, dentre outros ícones do rock inglês.

As duas primeiras faixas do disco já são, no sentido figurado, como um soco no peito. Somewhere Only We Know tem um piano solene, carregado, acompanhado da batida pop da bateria. Pelo menos ao meu ver, a letra conta a história de um cara que precisa de um lugar pra conversar com a mulher que ama, pra tentar se acertar com ela, um lugar onde só eles sabem.

Bend and Break, que em bom português quer dizer "machucado" fala justamente sobre isso. A melodia em sí faz lembrar algumas coisas do Coldplay, tem o piano, mas com uma levada mais rápida, o que dá um ar mais leve a musica. Embora haja uma dualidade na letra. Há o sentimento de dor e redenção, em quase quatro minutos. É possivel? Com o Keane sim.

O próximo destaque o disco é um dos maiores sucessos do grupo, Everybody's Changing. Essa tráz consigo uma levada mais oitentista, bem parecido com o que o U2 fazia na época.

No restante do album, não há nada muito inovador ou diferente do que você viu nas três ou quatro primeiras faixas. A não ser por Untitled 1, que tem um teclado sintetizado e batidas eletrônicas.

No mais, é um disco pra se ouvir com bastante calma, pra ser sentido. Recomendadíssimo.

That's all, folks!

BLUR - PARTE 1

Estive pensando, é graças a esses caras que esse blog tem o nome que tem. Além do que, muito do que eu conheço de rock, eu devo a eles. Nisso, conclui: Por que não fazer um megapost sobre o Blur?


Uma das bandas mais influentes dos últimos 25 anos, mas um post sobre um disco ou um amontoado de músicas aleatórias de todos os discos não eram o bastante. Sendo assim, senta que lá vem história. A história do Blur, muito além do que você já pode ter visto na wikipedia.


O frontman Damon Albarn nasceu em East End, em Londres, no dia 23 de março de 1968, e tinha “bons antecedentes” – seus pais eram hippies (o pai trabalhava com rock psicodélico dos anos 60, enquanto sua mãe trabalhava como designer pra uma companhia de teatro).


Aos 10 anos de idade, Damon e sua família se mudaram para Colchester, Essex, onde ele começou a criar seus primeiros laços de amizade e, por conseqüência, musicais. Interessado em música clássica, o garoto começou a tocar violino cedo, com apenas 12 anos, e também piano.


Cerca de dois anos depois ele conheceria Graham Coxon na Stanway Comprehensive School, e mesmo não tendo causado uma boa “primeira impressão”, tornaram-se amigos. Terminado o colégio, Damon mudou-se para Londres, onde ingressou num curso de arte dramática.


Porém, passado pouco mais de dois semestres, ele descobriu a contragosto que não levava muito jeito para aquele palco, mas nada que impedisse que ele tentasse sua sorte diante de outro tipo de platéia.


“Que desgraça de sapatos, olhe bem para os meus, isto é que são os sapatos do futuro!” foi a primeira frase que o guitarrista Graham Coxon escutou de Damon Albarn, na época com pouco mais de 14 anos de idade.


Mesmo achando-o insuportavelmente convencido, Graham admitiu que nunca havia conhecido alguém tão seguro de si, fato que serviu de base para o início de uma bela amizade entre os dois rapazes.


Nascido em 11 de março de 1969, num hospital militar em Rintein, perto de Hannover, na Alemanha, Graham tinha como pai um músico que tocava numa banda militar e dava aulas de jazz aos sábados pela manhã.


Depois de cinco anos vivendo ali, Graham mudou-se para Derby, na Inglaterra, onde passou a viver com sua avó. Autodidata, com 12 anos já tocava guitarra e saxofone com extrema facilidade. Também chegou a tocar bateria em algumas bandas. Na mesma época que conheceu Damon, tornou-se um vegetariano ferrenho, o que o levou para uma semana de hospital com problemas de nutrição.


Por causa disso, Graham foi demitido de seu trabalho e voltou a dedicar-se somente à música, ingressando numa banda chamada The Curious.

BLUR - PARTE 2

O integrante mais velho do Blur é o baterista Dave Rowntree, nascido em 8 de maio de 1964 em Colchester, Inglaterra.

Seu ouvido musical veio de família. Seu pai, durante 40 anos foi engenheiro de som da British Broadcast Company (a BBC), e sua mãe uma pianista que tocava na orquestra de Londres. Apesar da vontade dos pais (que queriam que o filho aprendesse a tocar gaita de foles), desde pequeno Dave era apaixonado pela bateria e fez pé firme para aprender a tocar o instrumento.


Fora a bateria, ele estudava jazz com o Sr. Coxon aos sábados de manhã, o que acabou por aproximá-lo de seu filho, Graham.


Antes de se tornar um músico profissional, Dave trabalhou como Engenheiro de Informática, após ter acabado a Universidade da Ciência do Computador, e ainda tocou com Graham em vários grupos de Colchester, dentre eles Hazel Dean e The Carpets Eaters From Hell. Fora isso, viveu um tempo na França, onde tocou em casas noturnas, mas sem grande reconhecimento.


Em 1968, no dia 21 de novembro, Steven Alexander James, nascia no Hospital de Boscombe. Criado em Bournemouth, Inglaterra, ele sempre viveu com os pais, uma trabalhadora voluntária e um vendedor de caminhões, mas quando a avó de Alex faleceu, ele e a família foram obrigados a se mudar pro outro lado da cidade.


Separado dos amigos que já tinha por ali, Alex decidiu dedicar-se mais aos estudos e tornou-se um típico CDF. Seu conhecimento musical, porém, era limitado. Chegou até mesmo a ser expulso das aulas de música no primário por sua total falta de jeito. Porém, parecia que o destino tramava em seu favor, pois aos 11 anos Alex ganhou um piano e foi ficando cada vez mais interessado em música, passando também a alimentar o desejo de ter um teclado, porém, terminou arranjando um baixo Fender, comprado mais por ser um acessório na moda do que como instrumento.


Independente disso, ele aprendeu a tocá-lo e ingressou em algumas bandas, a primeira delas chamava-se The Age of Consent. A banda levava esse nome porque o New Order tinha uma música com esse nome e desde aquela época, Alex já era um grande fã da banda.


Antes de entrar na faculdade, Alex teve uma vida profissional bastante agitada. Trabalhou em vendas, numa estação nuclear de Winfrith e também já foi jogador de futebol profissional, tendo sido reserva do Southampton, mas nem por isso se esqueceu de tocar, já que no ínterim teve outro grupo, chamado Mr. Pang’s Big Bangs, que também não foi pra frente.


Com a intenção de estudar francês, Alex ingressou na Universidade de Goldsmith, e logo no primeiro dia de aula conheceu Graham Coxon.

BLUR - PARTE 3

Na faculdade, Graham tinha um grupo com o nome Circus, então formado por Damon Albarn, Dave Rowntree e outros dois membros. Algum tempo depois, ficando a banda reduzida a apenas Graham, Damon e Dave, e sabendo que Alex tinha um baixo, mesmo que não soubesse tocar muito bem, Damon convidou-o para entrar no grupo.


Alex aceitou e depois de alguns meses, mais precisamente em 1988, inspirado num personagem de J.D. Salinger, Seymour Glass (do livro “Seymour: An Introduction”), Damon sugere que o nome da banda seja mudado para “Seymour”. Então, veio a decisão mais séria que eles tomariam: desistem, ao mesmo tempo, de seus respectivos cursos universitários para dedicarem somente à banda.

Logo, eles passaram a ser caracterizados por um som rápido e insano, com pegadas de punk e influências do The Kinks.


Algumas músicas feitas nessa época chegaram a ser lançadas como B-sides posteriormente, como por exemplo: “Shimmer”, “Tell Me, Tell Me”, “Mixed Up”, “Fried”, “Long Legged” e “Dizzy”.


Com esse repertório, a banda Seymour passou a fazer vários shows em Londres e seus arredores. Devido a seu grande talento e diversidade, não demorou que o quarteto chamasse a atenção de gravadoras. E eles assinaram com a Food Records, que fez uma curiosa exigência ao grupo: Eles teriam que trocar de nome.


E como se não fosse o bastante, ainda apresentaram uma lista com as opções. Para não perder a oportunidade, não ficaram tendo crises existenciais, aceitando logo a proposta e dentre todos os nomes da lista, optam por Blur, que em português significa obscuro.

Sob esse nome, o grupo lança seu primeiro single: “She’s So High”, em outubro de 1990, mas seria somente em meados de 1991, que um single da banda faria sucesso de verdade, e este foi “There’s No Other Way”, que chegou inclusive a ter versões americana e japonesa. Com isso, a banda começa a trabalhar com o renomado produtor dos Smiths e Morrissey, Stephen Street.


Já em agosto de 1991, finalmente chega às lojas o primeiro disco do Blur, Leisure, que logo de cara invadiu a parada britânica dos dez mais vendidos, ocupando a sétima posição durante semanas. Foi o suficiente para que a banda ganhasse todo o destaque que merecia.

BLUR - PARTE 4

Entrevistas, fotos e muitos, mas muitos shows. Passam meses na estrada e outros tantos em estúdio, e quase dois anos depois é lançado Modern Life Is Rubbish, cujo título foi tirado de um grafite em Londres. Esse disco marcou uma grande mudança na direção musical do Blur, embora haja discordância quanto ao estilo adotado, pode-se afirmar com clareza que continuava um trabalho de excelente qualidade.


Vale também ressaltar que as transformações, não aconteceram apenas no som, mas também nas letras, cuja influência pop estava muito mais presente.

Passado algum tempo, e em abril de 1994 chegou, com Parklife, o disco que rendeu ao Blur nada menos do que cinco Brit Awards. Esses prêmios serviram para mostrar ao mundo do que o Blur era capaz.


Parado na primeira posição da parada britânica, Parklife vendeu milhões de cópias por todo o mundo, foi algo tão grandioso que o vocalista Damon Albarn chegou a declarar que até mesmo as donas de casa deveriam estar comprando seus álbuns.


Uma curiosidade, é que pela primeira vez, Graham tocou saxofone num disco da banda. Mas nem tudo era alegria. O Blur estava começando a se acostumar com o sucesso, mas ainda não havia sofrido os “contras” do mesmo. E foi exatamente neste período que a banda quase chegou ao fim.


Durante uma viagem pela Itália, o guitarrista Graham, devido a problemas com álcool, recusou-se a aparecer em shows de TV, e consequentemente foram canceladas dezenas de apresentações pela Europa.


Um ano e meio depois, enquanto Parklife ainda era assunto, a gravadora resolveu lançar outro álbum, que recebeu o nome de The Great Escape. Os críticos, e a própria banda, consideraram o disco abaixo da média. Mas a gravadora argumentava que o grupo precisava de novas músicas para a turnê gigantesca que estava fazendo naquele momento.


Na mesma época, o Blur ainda se envolveu numa briga de fazer gosto com o pessoal do Oasis, onde as alfinetadas eram realmente ofensivas: “O baixista e o vocalista, eu espero que os dois peguem AIDS e morram; porque eu os odeio!” – Noel Gallagher.


Por outro lado, o Blur respondeu com um pouco mais de classe: “Acho que vou com uma camiseta do Oasis no Top of The Pops”. – Alex James.


Tamanha era a repercussão, que o Blur passou até a dar menos entrevistas, pois os desentendimentos com o Oasis acabavam sempre vindo à tona. Em meio ao tiroteio, porém, The Great Escape ainda atingiu o numero 1 na parada e vendeu mais de um milhão de cópias.

 

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